Isepol - Instituto Sephora de Ensino e Pesquisa de Orientação Lacaniana

Atividades Clínicas

Como distinguir a posição subjetiva e o lugar do Outro na ordem simbólica contemporânea? A clínica psicanalítica hoje, mais do que nunca, precisa retornar ao dado primeiro, ao caso ao caso, isto é, à singularidade do sintoma. Quando o Outro não existe, nossa bússola não pode mais ser a estrutura do Complexo de Édipo, porque não sabemos se ele ainda é um sintoma coletivo. Nem sempre estamos certos de que para um dado sujeito o pai tenha função de ideal. O que fazer quando a bússola do sujeito é o objeto do gozo e não o ideal? Não será melhor tomar cada sintoma, em princípio, como inclassificável? Nomear os sintomas como neuróticos ou psicóticos nem sempre é suficiente para tratá-los como convém. Mas, como tratar aquilo que não se pode classificar? A clínica estrutural, descontinuista, baseada na distinção entre a presença do Nome do Pai (neurose) e a ausência deste (psicose) é o princípio que norteia o diagnóstico e a direção do tratamento analítico. Entretanto, é preciso reconhecer que ela não é suficiente para abordar os novos sintomas, discursos e laços sociais na contemporaneidade. Foi preciso aprender a adotar um novo ponto de vista um pouco mais continuista. Isso significa orientar-se mais pela pulsão do que pelo significante. Orientados para o real em jogo no sintoma, a única certeza é que não há relação sexual. O sinthoma, classificável ou inclassificável, é a invenção singular de um sentido sexual. As intervenções do analista não podem reduzir-se a interpretar o sentido sexual escrito no corpo sintomático. É preciso ler este escrito ao pé da letra, reconhecendo em seu caráter insistente e repetitivo a materialidade de um gozo incurável e fora do sentido: o sinthoma. O ponto de vista baseado no sinthoma privilegia o modo de gozar em sua singularidade. O singular é incomparável. O significante SEPHORA é um bom exemplo. Tal como a pulsão, é apenas um circuito cujo destino é repetir a mesma vontade de retomar o discurso analítico com novos parceiros e novos custos na clínica do ISEPOL.

Tania Coelho dos Santos

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